Ifes conquista patente de composto farmacêutico extraído de planta da Mata Atlântica capixaba

Desenvolvida em parceria com a UFMG e a UENF, a tecnologia mostra resultados promissores no combate ao câncer e a doenças neurológicas.

O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) concedeu ao Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) a carta-patente referente a uma invenção capaz de isolar compostos farmacêuticos com atividade antitumoral, extraídos de espécies da família Apocynaceae, com destaque para a planta Rauvolfia capixabae, nativa da Mata Atlântica capixaba. A patente foi desenvolvida em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF).

De acordo com a patente, a invenção descreve composições contendo substâncias como 16S-19E-isositsiriquina, Nb-óxido-(16S)-E-isositsiriquina e olivacina, alcaloides de origem vegetal que apresentaram resultados promissores em ensaios contra células tumorais. Em laboratório, essas substâncias demonstraram eficácia em linhagens de leucemia e câncer colorretal, além de apresentarem menor toxicidade em células normais, quando comparadas a fármacos já disponíveis no mercado.

Segundo a professora do Ifes campus Serra e uma das inventoras, Náuvia Maria Cancelieri, esse é o grande diferencial da descoberta:

“Os resultados foram promissores porque os compostos apresentaram alta seletividade, destruíam células cancerígenas sem afetar as células normais.”

Ainda conforme a pesquisa descrita na patente, o processo desenvolvido representa uma novidade em termos produtivos. Diferentemente de métodos relatados anteriormente na literatura científica, ele mostrou-se mais rápido, eficiente e com maior rendimento, ao permitir a obtenção de maiores quantidades de olivacina e isositsiriquina (moléculas naturais extraídas de plantas) com menos etapas laboratoriais. Nesse aspecto, Náuvia ressalta também o impacto econômico:

“O diferencial é que os alcaloides da Rauvolfia aparecem em maior quantidade, o que pode tornar a produção de medicamentos mais viável e acessível.”

A espécie Rauvolfia capixabae, conhecida popularmente como “grão-de-gato”, é encontrada em áreas de restinga e fragmentos de Mata Atlântica no Espírito Santo. Segundo a patente, até então havia poucos registros de estudos fitoquímicos sobre ela e o trabalho buscou valorizar o patrimônio natural do país e demonstrar o potencial de espécies nativas como fontes estratégicas de pesquisa em saúde.

Os testes relatados na patente também mostraram que a olivacina apresentou forte ação contra células leucêmicas, com destaque para a leucemia promielocítica aguda e a leucemia monocítica aguda. Os resultados indicaram que a substância pode ser tão eficaz quanto medicamentos convencionais, mas com menor impacto sobre células saudáveis. Já a 16S-19E-isositsiriquina e o Nb-óxido-(16S)-E-isositsiriquina também confirmaram seletividade contra células tumorais, o que reforça o potencial antineoplásico da invenção.

A conquista é fruto de anos de trabalho conjunto entre diferentes instituições de ensino e pesquisa. Para Náuvia, a cooperação científica foi decisiva:

“Esse trabalho só foi possível graças à parceria entre diferentes universidades e pesquisadores. Foi um esforço coletivo e interdisciplinar.”

Além dos avanços farmacológicos, a pesquisa também carrega um valor ambiental e social. Como destaca a inventora:

“Trabalhar com plantas significa também sustentabilidade. É uma tecnologia limpa, que respeita o meio ambiente e tem potencial de gerar benefícios concretos para a população.”

Veja os dados da patente: 

Número do Depósito: BR 102017003539-5
Depósito: 21/02/2017
Expedida em: 26/08/2025
Títular: Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro – UENF e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo – Ifes.
Título: Composições farmacêuticas contendo 16s-19e-Isositsiriquina, Nb-Óxido- (16s)-E-Isositsiriquina, olivacina ou extratos de cascas de raízes de espécies da família Apocynaceae, processo de isolamento e usos.
Inventores: Náuvia Maria Cancelieri; Antônio Flávio de Carvalho Alcântara; Adriano de Paula Sabino; Fernanda Cristina Gontijo Evangelista; Dorila Piló Veloso; Ivo José Curcino Vieira; Juliana Machado Brêtas; Raimundo Braz Filho. 

Veja os dados de propriedade intelectual do Ifes: 

26 cartas patente
100 pedidos de patente
129 softwares registrados
6 desenhos industriais registrados
14 marcas registradas
3 transferências de tecnologia
126 pedidos de patente (acumulado)
+ 400 atendimentos pela Agifes (acumulado

Para saber mais, acesse: agifes.ifes.edu.br.

 

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